10 setembro 2010

Uma noite sem vestido

   Dia 09 de setembro. 17h. Primeira prova do vestido de noiva. Emoção total!

   Sai do trabalho eram 16:30 e me encaminhei para a Rua do Ouvidor no. 149. Munida de sapatos e brincos, cheguei à Casa Assuf. Andei lentamente até o final da loja, segurando a ansiedade, solicitei pela primeira prova do meu vestido. Um torturante “aguarde um momento” foi dito e dali passaram-se minutos, não sei precisar quantos, mas para naquele momento, foram muitos.

   Ana Beatriz, a senhoria poderia me acompanhar, por favor?” Sim! Claro! Vamos ao ateliê.

   O primeiro susto se deu quando a costureira trouxe o vestido. “Esse não é o meu vestido”, disse a ela ao ver o modelo pendurado na arara. A costureira realmente havia se enganado e trazido o vestido de outra noiva, mas eu o meu? Mais muitos minutos depois, o que na verdade não deve ter passado de 5 ou 10, ela veio acompanhada do tão esperado.

   De sapatos e brincos, compus-me. Sim, a noiva. Mas... eta eta eta... não foi isto que havíamos acordado ao fechar o modelo do vestido há 7 meses atrás. A partir daí, vários atores entraram em cena: chamem o vendedor... chamem a cortadeira... chamem a costureira... falem com o gerente.

   Diante de um não entendimento, no vestido que havia escolhido não seriam possíveis as alterações que havia solicitado, o que no momento da assinatura do contrato não foi detalhado por parte da loja. A solução oferecida pela respeitada loja de tecidos foi em voltar no dia seguinte e escolher um novo modelo.

   Acompanhada de minha mãe, saímos da loja com a certeza de que das duas aos menos o vestido da dela estava seguro em seu armário.

   Além dos sapatos e brincos, agora, juntando-se a eles, havia uma revista com vários modelos.

   Desanimadas, aproveitamos para jantar e mergulhar na revista recém adquirida. Dalí, 4 modelos passaram a habitar o meu imaginário e uma longa noite, sem sono, veio em sequência. Uma longa noite sem vestido. O cansaço falou mais alto e consegui adormecer, porém não até muito tarde, já eram 5:40 da manhã e de pé estava, arrumando-me para a academia.

   Nada como atividade física para diminuir a ansiedade, ao menos isto sempre funciona comigo. Uma rápida passagem pela musculação e uma aula de running nunca antes tão bem aproveitada, afinal, projeto casamento 2010 ainda está em vigor.

   Tentando não fugir da rotina e acelerar o tempo, arrumei-me normalmente e segui de metro até a conhecida Rua do Ouvidor no. 149. Mamãe já estava lá. “Mãe, que cara de sono! Bom dia!”, disse. “Não consegui dormir, preocupada com o vestido”, respondeu. Ali percebi que estava bem mais tranqüila que minha mãe e bem mais tranqüila do que poderia ou deveria estar.

   Com uma atenciosidade impar, fui atendida. Indiquei por primeiro o vestido que havia achado mais bonito.

____________________
Aqui cabe um flashback.

Há 7 meses atrás, o primeiro vestido que chamou-me a atenção foi o modelo Vestido OAC-154 + Veste Longa OAC-157, porém, naquele momento, optei por outro modelo pois para o primeiro não cabia o colar que ganhei de presente da minha avó. Para não ficar decepcionada, nem o experimentei. Alguns meses depois, voltei à loja e experimentei o vestido já escolhido com o colar da vovó e também não ficou muito bom. Minha avó, costureira de profissão, também não gostou da composição e, num ato que querer o meu bem e minha felicidade, deixou que eu me casasse sem o colar.
____________________

   Com esta confusão, decidi que me daria o direito de experimentar o primeiro vestido que de todos havia considerado o mais bonito, o modelo Vestido OAC-154 + Veste Longa OAC-157. Realmente! É lindo! Um espetáculo! Mas... (sim, mas) em mim, ele não era tão lindo assim. Eis que, dos modelos que havia identificado na revista, um que, em princípio não era o mais cobiçado, fez com que minha respiração parasse por uns instantes e meus olhos brilhassem a me ver através do espelho trajando-o. This is it!

   Novamente, vários atores entraram em cena: chamem a cortadeira e a costureira... “Mesmo neste modelo, gostaria de alterar alguns detalhes. É possível?”, perguntei. “Sim, isto é possível”, responderam. Com o aval das profissionais, chamem o gerente, afinal, todo este desgaste emocional merecia um desconto.

   Tudo resolvido, novo contrato assinado e a segunda primeira prova agendada para dia 28/10.

   No final das contas, pensando bem, há males que vem para bem. Afinal, qual é a noiva que tem a oportunidade de escolher o vestido duas vezes?

   Ah, mas o melhor de tudo foi é que vesti no vestido que não é mais o meu, a costureira teria que apertar quase 10 cm. Esta é a melhor balança!

Um comentário:

  1. Amiga, ao ler o seu email gelei de angustia! mas a medida que as palavras fluiam no seu texto, fui me equilibrando. Ao fim, suspirei: realmente nao era para ser aquele vestido!

    Lembro que numa de nossas conversas, uns dois meses atras, vc me disse que sentia uma pontinha de duvida com relacao ao vestido escolhido - se era realmente O VESTIDO. E ainda, disse que a prova que faria, iria ser certeira para a decisao final. E nao e que foi!?!?
    Ha males que vem para o bem e no final, sempre da certo!!!

    Obs: estou doida p ter ver lindamente vestida de noiva! Que emocao!!! bjos Carol.

    ResponderExcluir