Dia 09 de setembro. 17h. Primeira prova do vestido de noiva. Emoção total!
Sai do trabalho eram 16:30 e me encaminhei para a Rua do Ouvidor no. 149. Munida de sapatos e brincos, cheguei à Casa Assuf. Andei lentamente até o final da loja, segurando a ansiedade, solicitei pela primeira prova do meu vestido. Um torturante “aguarde um momento” foi dito e dali passaram-se minutos, não sei precisar quantos, mas para naquele momento, foram muitos.
Ana Beatriz, a senhoria poderia me acompanhar, por favor?” Sim! Claro! Vamos ao ateliê.
O primeiro susto se deu quando a costureira trouxe o vestido. “Esse não é o meu vestido”, disse a ela ao ver o modelo pendurado na arara. A costureira realmente havia se enganado e trazido o vestido de outra noiva, mas eu o meu? Mais muitos minutos depois, o que na verdade não deve ter passado de 5 ou 10, ela veio acompanhada do tão esperado.
De sapatos e brincos, compus-me. Sim, a noiva. Mas... eta eta eta... não foi isto que havíamos acordado ao fechar o modelo do vestido há 7 meses atrás. A partir daí, vários atores entraram em cena: chamem o vendedor... chamem a cortadeira... chamem a costureira... falem com o gerente.
Diante de um não entendimento, no vestido que havia escolhido não seriam possíveis as alterações que havia solicitado, o que no momento da assinatura do contrato não foi detalhado por parte da loja. A solução oferecida pela respeitada loja de tecidos foi em voltar no dia seguinte e escolher um novo modelo.
Acompanhada de minha mãe, saímos da loja com a certeza de que das duas aos menos o vestido da dela estava seguro em seu armário.
Além dos sapatos e brincos, agora, juntando-se a eles, havia uma revista com vários modelos.
Desanimadas, aproveitamos para jantar e mergulhar na revista recém adquirida. Dalí, 4 modelos passaram a habitar o meu imaginário e uma longa noite, sem sono, veio em sequência. Uma longa noite sem vestido. O cansaço falou mais alto e consegui adormecer, porém não até muito tarde, já eram 5:40 da manhã e de pé estava, arrumando-me para a academia.
Nada como atividade física para diminuir a ansiedade, ao menos isto sempre funciona comigo. Uma rápida passagem pela musculação e uma aula de running nunca antes tão bem aproveitada, afinal, projeto casamento 2010 ainda está em vigor.
Tentando não fugir da rotina e acelerar o tempo, arrumei-me normalmente e segui de metro até a conhecida Rua do Ouvidor no. 149. Mamãe já estava lá. “Mãe, que cara de sono! Bom dia!”, disse. “Não consegui dormir, preocupada com o vestido”, respondeu. Ali percebi que estava bem mais tranqüila que minha mãe e bem mais tranqüila do que poderia ou deveria estar.
Com uma atenciosidade impar, fui atendida. Indiquei por primeiro o vestido que havia achado mais bonito.
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Aqui cabe um flashback.
Há 7 meses atrás, o primeiro vestido que chamou-me a atenção foi o modelo Vestido OAC-154 + Veste Longa OAC-157, porém, naquele momento, optei por outro modelo pois para o primeiro não cabia o colar que ganhei de presente da minha avó. Para não ficar decepcionada, nem o experimentei. Alguns meses depois, voltei à loja e experimentei o vestido já escolhido com o colar da vovó e também não ficou muito bom. Minha avó, costureira de profissão, também não gostou da composição e, num ato que querer o meu bem e minha felicidade, deixou que eu me casasse sem o colar.
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Com esta confusão, decidi que me daria o direito de experimentar o primeiro vestido que de todos havia considerado o mais bonito, o modelo Vestido OAC-154 + Veste Longa OAC-157. Realmente! É lindo! Um espetáculo! Mas... (sim, mas) em mim, ele não era tão lindo assim. Eis que, dos modelos que havia identificado na revista, um que, em princípio não era o mais cobiçado, fez com que minha respiração parasse por uns instantes e meus olhos brilhassem a me ver através do espelho trajando-o. This is it!
Novamente, vários atores entraram em cena: chamem a cortadeira e a costureira... “Mesmo neste modelo, gostaria de alterar alguns detalhes. É possível?”, perguntei. “Sim, isto é possível”, responderam. Com o aval das profissionais, chamem o gerente, afinal, todo este desgaste emocional merecia um desconto.
Tudo resolvido, novo contrato assinado e a segunda primeira prova agendada para dia 28/10.
No final das contas, pensando bem, há males que vem para bem. Afinal, qual é a noiva que tem a oportunidade de escolher o vestido duas vezes?
Ah, mas o melhor de tudo foi é que vesti no vestido que não é mais o meu, a costureira teria que apertar quase 10 cm. Esta é a melhor balança!